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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Cresce número de trabalhadores com pneumoconiose em MG

A silicose mantem alta prevalência em Minas Gerais, e vem alterando o seu perfil, de acordo com a doutora em Saúde Pública Ana Paula Scalia Carneiro, pneumologista do CEREST/UFMG. As principais causas desta mudança no perfil estão relacionadas ao aumento da procura dos serviços de saúde pelos trabalhadores do mercado informal de trabalho, e ao crescimento do trabalho infantil. Paralelamente, há uma diminuição de procura por trabalhadores das grandes mineradoras, em virtude da melhoria das condições de trabalho ocorridas nos últimos dez anos.

O diagnóstico vem sendo traçado de acordo com o perfil demográfico e ocupacional dos pacientes que procuram o ambulatório de pneumologia ocupacional do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de Minas Gerais. O deslocamento de casos de silicose para o setor informal traz grandes desafios para a prevenção primária e secundária da doença e a sua eliminação.

O tema de autoria de pesquisadores da UFMG, que contou com a colaboração da Fundacentro, foi apresentado no "Seminário sobre Sílica e Asbesto - Estado da Arte" em Viterbo, Itália, pela doutora Ana Paula. E também durante a Conferência Científica Internacional da International Occupational Hygiene Association (IOHA) em Roma, pela doutora Ana Paula e pelo doutor Eduardo Algranti. Os eventos ocorreram no mês de setembro.

Os dois especialistas apresentaram os principais avanços e dificuldades do Programa Nacional de Eliminação da Silicoses, que foi objeto de debates durante a oficina de trabalho sobre sílica realizada durante a conferência da IOHA. Experiências de programas na África do Sul e União Européia foram também temas de debate.

O pesquisador da Fundacentro discorreu também sobre a situação do asbesto no Brasil, que aponta para o gradual aumento de casos de câncer de pleura no País. Embora tenha ocorrido uma diminuição no consumo interno de asbesto no Brasil, houve um significativo aumento da exportação deste mineral a países em desenvolvimento. As precárias condições de trabalho nestes países fornecem o terreno para o aumento das doenças associadas ao asbesto, incluindo o mesotelioma.

Na avaliação do pneumologista, comparando-se a prática da Saúde e Segurança no Trabalho entre Brasil e Itália, o país europeu possui uma forte presença do setor público neste campo, o que torna a prática da especialidade mais isenta de interesses, levando a benefícios na investigação e verificação de ambientes de trabalho e na identificação e notificação de doenças ocupacionais.

Fonte: Fundacentro

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Trabalho expandido causa problemas psicológicos

A empresária Valquíria Pamplona tem uma rotina atribulada. Ela acorda às 8 horas, toma café com os dois filhos e dá uma caminhada. Das 9h às 11h tranca-se no home office para trabalhar e de tarde visita empresas clientes. Em todos os momentos do dia ela está ligada ao trabalho. "Fico conectada à Internet o tempo todo e, sempre que abro meu e-mail, tenho pelo menos 50 mensagens para ver e responder", diz ela.

A publicitária revela que só consegue ter saúde nesta rotina atribulada porque, além do trabalho, ela reserva um espaço para o convívio familiar e as caminhadas. Mas, para quem não consegue achar seu ponto de equilíbrio, esta tendência atual do trabalho expandido e sem limites de espaço e de horário vem sendo a causa principal de estresse e de outros problemas.

As consequências deste novo modo de vida se apresentam em números. Os transtornos mentais e comportamentais, como a depressão, o transtorno bipolar e a esquizofrenia, tiveram um acréscimo de mais de 12% na quantidade de auxílios acidentários concedidos pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) de janeiro a novembro de 2008 em relação a igual período de 2009. Enquanto isso, os concedidos por lesões, envenenamentos e outras consequências (como entorses e fraturas) tiveram uma queda em torno de 10% e os por doenças osteomusculares (que incluem as tendinites) caíram mais de 13%.

De acordo com pesquisa da International Stress Management Association Brasil (Isma-BR), 70% dos brasileiros sofrem de sequelas decorrentes do estresse profissional. Entre elas, estão dores, cansaço crônico e depressão. Desse total, 30% estão no nível mais elevado, configurando a chamada Síndrome de Burnout.

As más posturas no trabalho podem e devem ser evitadas, mas as boas práticas não devem ficar limitadas apenas ao ambiente profissional. Muitas vezes a postura inconveniente foi adquirida durante anos. "Tudo começa com uma queixa simples que, se tratada, não levaria a incapacidade. Mas, muitas vezes, o trabalhador tem medo de falar e acaba trabalhando no limite", diz Rodrigo Azevedo de Oliveira, fisioterapeuta e coordenador do Setor de Ergonomia da Sefit, empresa especializada em fisioterapia do trabalho.

Oliveira conta que os principais problemas dos trabalhadores que procuram a reabilitação são as lesões de ombro, punho e coluna. Para os que trabalham sentados, as pausas de cinco minutos, pelo menos, a cada uma hora são essenciais. Já quem trabalha o tempo todo de pé, precisa de assentos de repouso, além de pausas ativas (com a realização de exercícios) e passivas (no qual o trabalhador simplesmente descansa). Ele explica que o fisioterapeuta do trabalho, além de ajudar na reabilitação do trabalhador com problemas, verifica as condições ergonômicas do local no qual este trabalhador realiza suas funções e pode até propor algumas mudanças.

"As pessoas têm que estabelecer limites", explica Ana Maria Rossi, doutora em Psicologia Clínica e presidente do Isma-BR. "Elas têm que se dar conta de que sempre existe uma opção. As pessoas querem qualidade de vida, mas não querem perder nada. A saúde é o único bem insubstituível", diz. Ela lembra que o estresse (que não é uma doença, mas um processo de adaptação) acaba se tornando importante porque abre caminho para outras doenças, ao enfraquecer o sistema imunológico. E as mulheres são as mais atingidas.

O ortopedista e cirurgião de mão Adilson Seidi Suguiura lembra que a maior incidência de doenças inflamatórias das mãos acontece entre o público feminino, "talvez pela questão hormonal ou por terem uma estrutura muscular menos resistente. Além disso, elas trabalham, mas não deixam de lado as tarefas de mãe e seus afazeres domésticos".

Zuher Handar, consultor da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e diretor científico da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), explica que, quando o trabalhador procura o médico com alguma queixa, "ele ou a equipe de saúde deve sempre, durante a anamnese, pesquisar a história laboral do paciente para poder avaliar se as queixas ou mesmo a doença tem alguma relação com a atividade laboral que vem desenvolvendo. Isto já foi dito e recomendado pelo médico italiano Bernardino Ramazzini, em 1700."

Segundo Handar, a melhor medida de prevenção contra as doenças laborais ainda é agir na causa, transformando o processo envolvido no trabalho. Ele diz que, para atividades que impõem repetição de movimentos e posturas inadequadas ou que exigem muita atenção, as pausas são importantes. "A prevenção pode ser a mudança de atividades e a rotatividade nas tarefas. Fazer alongamento ou ginástica laboral é importante desde que seja bem orientada", afirma.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Afastamentos por transtornos afetivos aumentam 71%

Os transtornos afetivos estão levando cada vez mais brasileiros a se afastarem do trabalho. Dados do INSS mostram que, no ano passado, 6.704 pessoas deixaram seus postos por esse motivo, o que representa um aumento de 71% em relação a 2007, quando 3.918 se afastaram do trabalho.

Segundo a assessoria de imprensa do INSS, o aumento se deu por conta da adoção do Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP), instituído em abril de 2007. O documento estabelece uma metodologia para identificar as doenças e os acidentes relacionados com a prática do trabalho no Brasil. Sem a existência do NTEP, muitas doenças não eram contabilizadas no sistema da previdência social. As pessoas afastadas por conta dos transtornos afetivos recebem auxílio-doença e são encaminhadas para tratamento na rede pública de saúde.

Mas, se olhados com cautela, os números revelam muito pouco da realidade corporativa brasileira. Os dados, de acordo com a assessoria de imprensa do INSS, ainda estão subnotificados. Ou seja, existem mais pessoas com transtornos afetivos no mercado de trabalho do que se pensa.

Para se ter uma ideia, este ano, já foram gerados mais de 1,6 milhão de empregos formais no Brasil, segundo o Ministério do Trabalho. A depressão, de acordo com estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), está presente em pelo menos 18% das pessoas do mercado de trabalho. Além disso, dados da OMS, divulgados no final de 2009, apontam que a depressão deverá se tornar a doença mais comum do mundo nos próximos 20 anos. Além disso, a doença deve afetar mais pessoas do que o câncer ou as doenças cardíacas.

Fonte: Exame
Gabriel Renner/Revista Proteção